9 de outubro de 2009

Reflexão sobre religião na atualidade

A religião é uma crença em uma explicação do cosmo, o homem dá a essa explicação o status de sagrado, por ser tratar de algo que esta além e acima de nós e que portanto deve-se agradá-lo para manter a paz e a harmonia na Terra. Os representantes do sagrado são escolhidos e através deles a mensagem, o rito e as doutrinas são ministradas.

Ela durante muito tempo vem se mantendo por ser coesa forte e soberana, e em diferentes séculos e lugares exerceu influência em reinos e impérios e as populações lhe são devotos há gerações tornando-se tradicional nas famílias, nos hábitos, todas essas influências vem sendo contestada, pois o controle sobre este poder sagrado fez muitos sacerdotes corromperem-se criando uma situação que coloca o próprio nome da Instituição religiosa em julgo da sociedade como também a própria existência de deus.

È possível perceber aí as funções que a religião exerce na sociedade: ela pode legitimar a ordem vigente direcionando sua doutrina ao ensinamento da conformação onde deus assim quer e seus fieis seguidores devem fazer para agradá-lo. E ela também pode, ao contrário, motivar movimentos de questionamentos e assim buscar mudanças para que seu deus possa reinar em lugar não mais profano. As funções da religião estão ligadas intimamente com a sua sobrevivência, pois o fiel necessita de deus em sua vida ele é que lhe da forças para continuar contra as más condições de vida imposta pela sociedade e se seu deus morrer ele fica sem parâmetros, sem orientação, sem vida.

Na sociedade Ocidental quando as ciências emanciparam-se do domínio da igreja foi uma classe que emergiu do terceiro Estado que a patrocinou e buscou também a sua própria autonomia da doutrina cristã ministrada pelo catolicismo. A partir do século XVI emergem duas novas formas de explicar as coisas da vida uma ainda religiosa só que autônoma e questionadora da doutrina Católica, outra que não busca mais em deus as respostas para as tais coisas da vida, as ciências.

Já com alguns séculos de desenvolvimento as ciências encontraram respostas para perguntas às quais as da religião não satisfaziam e desmistificava outras tantas coisas que aparecem hoje como bobas, com esse nível de desenvolvimento, no século XX o fiel se vê em um mar de dúvidas existenciais ele não sabe mais em quem acreditar se é na ciência, se é nessa ou naquela religião ou naquele que diz que não acredita em nenhuma dessas coisas. Contudo esta reação era prevista por aqueles que implantaram o novo sistema e nele investiram seus dinheiros, pois eles querem trabalhadores poucos preocupados e com medo da vida para serem passivos e bons trabalhadores para apenas sustentar a família para trabalharem para eles também.

A permanência da religião na sociedade se da por ser ela ser a gestora da vontade divina que dá forças espirituais, sem ela a sociedade se viria em um caos onde não mais existiria padrão ético de comportamentos, seria cada um por si, pois deus já se mandou. Portanto enquanto o homem viver em sociedade e essa sociedade depender que um vença sobre o outro para o privilégio individual haverá lideres, oradores, haverá religião.

Devido ao grande numero de pessoas na sociedade e com essas mudanças ocorridas nestes últimos séculos há o aumento de religiões e com isso uma aceitação maior da religião do outro pelo fato de ser normal ter uma religião diferente o que não acontece quando uma se sobrepõe e oprime as outras isto é diversidade religiosa.

30 de agosto de 2009

Chorar

Chorar?
Chorar é bom,
Pena que não resolve nada!

25 de agosto de 2009

Solidão

Minha desgraça, oh cândida donzela
O que faz que eu assim blasfema
É ter para escrever um poema,
E não ter um vitém para uma vela.
Álvares de Azevedo
Estás comigo aconteça o que acontecer
Distraio-me, erro e tu vens.
Só existe uma coisa pior do que você
O fim.
Saio ao parque encontro amigos,
Saio á noite não durmo contigo.
Mas tu és pior que o fim,
Me acompanhas sem fim,
És pior que o fim.
Um sorriso, um grito, um momento feliz.
És pior!
Minha vontade de ser acaba com você.
Caminhar, dormir, estudar acabam com você.
Você existe na mente
De quem gosta de sofrer
Mas quem sou eu? Que vivo com você.
Aincerteza é pior que você
Não!
Pois sei onde estás:
Em minha mente
Que insiste de,
Em ti lembrar

12 de agosto de 2009

Pesquisa sobre a aplicação do Fundo Nacianal de Desenvolvimento da Educação

No dia 04 de Dezembro de 2008 fomos à Escola Municipal Sebastiana Lourenço Camilo no setor Village Garavelo II, em Aparecida de Goiânia, no período noturno pesquisar os programas financiados pelo Governo Federal através do FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, suas aplicações na escola os prós e contras do programa.
Fomos recepcionados pela diretora Carmem do Socorro Rosa que nos atendeu de forma simpática e descontraída, no diálogo que tivemos, cerca de 20 minutos, ela falou de três programas que atendem a escola, por coincidência ela é formada em História e disse, ao final, que quando se formou não cursou esta disciplina de Políticas Educacionais.
Características gerais, os programas do Governo devem respeitar algumas exigências, a escola faz o censo dos alunos matriculados e através do censo municipal o Governo Federal distribui os valores monetários aos governos estaduais, municipais, ao Distrito Federal e ás ONG’s, que por sua vez redistribui, proporcionalmente, às escolas, a diretora nos informou que os dados da unidade escolar são baseados no censo do ano anterior, mas a verba só chega ao final do ano, enfim usando das palavras da diretora “tem que se virar”. A diretora é responsável pela prestação de contas. E constatada irregularidades o programa é cancelado.
O primeiro a ser mencionado foi o PDE, Programa de Desenvolvimento da Escola, como o próprio nome sugere procura-se desenvolver a unidade escolar através do levantamento dos dados da escola (localização, corpos docente e discente, funcionários, infra-estrutura, etc.) pelos quais as prefeituras repassam a verba ofertada pelo FNDE, para a escola comprar materiais de custeio (cartolina, cola, papel, etc.) bens não-duráveis e de capital (vídeo, televisor, som, etc.) bens duráveis, a escola através do Caixa Escolar compra esses materiais, que são muito importantes à escola, porém acontece que sendo a verba baseada no censo do ano anterior o dinheiro não satisfaz as reais necessidades, ou melhor, as necessidades atuais.
Outro programa, e que não teve contras, o PDDE, Programa Dinheiro Direto na Escola, ajuda na complementação do orçamento, na escola visitada este ano foi passado um adicional por causa da ampliação do programa à Acessibilidade, com o objetivo de adaptar a escola aos alunos portadores de necessidades especiais, por estar em ano de transição de governo preferiu-se mexer no dinheiro só no ano que vem.
Por terceiro e último o PNAE, Programa Nacional de Alimentação Escolar, onde é repassado o dinheiro para a alimentação dos alunos, R$ 0,25 (vinte e cinco centavos) por aluno, este dinheiro baseado no censo da escola em 2007 que totalizou 724 alunos e, 840 em 2008, retratam bem a preocupação das autoridades. A escola organiza o cardápio pesquisa em três locais os produtos, e procura economizar. A prefeitura de Aparecida complementa, não com verba e sim com lanche. Através de licitação a empresa que oferecer o melhor preço ganha direito de distribuição, acontece, segundo a diretora, que há atraso na entrega, não vem certo, lanche pouco nutritivo e são entregues de uma só vez, mensalmente, inclusive os perecíveis que tem que ser armazenados e acabam estragando. Já no programa Federal a verba é repassada em 10 vezes mensais, podendo a escola negociar com o fornecedor a programação da distribuição.
A diretora citou ainda o PNLD, Programa Nacional do Livro Didático, que é também baseado no censo do ano anterior e gera os mesmos problemas de satisfação às necessidades quebrando a corrente nos alunos do período noturno já que não sobram livros, às vezes não é entregue a primeira opção de escolha, contudo os professores da rede municipal se reúnem para uniformizar os pedidos e ajudar os que acabam prejudicados.
Nesta pesquisa constatamos que às vezes teoria e pratica andam juntas, pois as problemáticas abordadas em sala se constataram na escola, mas infelizmente a realidade não é nada boa, se há a ajuda, e ela é bem vinda, é por causa de uma má gestão que não é de uma ou outro governo e sim do Estado. Enquanto a política for essa demagogia partidária a educação e as outras áreas serão apenas partes de um jogo que pode ou não ser usada dependendo da situação.

17 de julho de 2009

Diálogo entre o Bem e Mal (Conto)

Bem (normal) Mal (negrito)

- Como vai meu irmão?
- Mal e não poderia estar melhor.
- É eu sei, sinto isso e apesar de estar forte estou em poucas pessoas.
- É claro, essas atitudes que você inspira as pessoas a fazerem, ninguém cai mais nessa!
- Mas esse é o meu papel, sei que é difícil, e p’ra ser sincero aqueles que me aceitam, mesmo que pensem em você, em última, instância, optam por mim...
- Tem um cigarro? (interrompendo o Bem).
- Não.
- Esse papo vai longe!
- mas você sabe que se não fosse eu você não existiria.
­- E se não fosse eu, você! Não existiria.
- E se não fosse agente o que seria do homem?
- Está vendo, você sempre preocupado com os outros. Eu por exemplo, não estou nem aí p’ra ninguém, e o que dá audiência na televisão? Tenho até meu jogo bélico, a guerra. E você vez ou outra é mencionado no esporte, como é mesmo... fair play, quem reina sou eu.
­- É? Mas quem reproduz o homem é o amor.
- Estupro!
- O carinho materno?
- dinheiro.
- Felicidade?
- Hum!... Deixe-me ver... Dinheiro.
- Essa não! Assim não dá! (indignado).
- Algum palavrão a dizer?
- Não é porque estou indignado que tenho que xingar.
- Mas tente, alivia, e quando uma criança aprende até alegra, - O que a mamãe é? Puta. E o papai? Corno. Que coisa mais linda! – (encenando)
- Olha se não te conhecesse até te acompanharia, mas esse seu poder, sua gloria, tudo especulação, é! É isso mesmo, atrás dessa cara de mau...
-Blá, blá, blá, blá. Olha eu não obrigo ninguém a me usar.
- Você mente!
­- Eu existo é para ser usado.
- Você engana, você é tão fraco que uma pessoa em sã consciência, só te usa depois de muita provocação. Quanto à audiência na televisão, você já deixou algum telespectador opinar na programação, nem na guerra te querem.
- Mas eu tenho dinheiro e faço o que quero, têm um cigarro aí?
- Já te disse que não! Eu não fumo. (irritado).
(Mal tirando um cigarro do bolso, faz gesto oferecendo um cigarro para o Bem)
- vai um palavrão ai!? (mal acende um cigarro)
- Já é a segunda vez que me pede um cigarro e digo que não tenho ai você tira um do bolso e acende! Você é um canalha! (já se alterando)
- Calma! (em tom irônico) Olha, assim agente vai acabar nos murros, se bem que hoje em dia tem as armas, é bem menos trabalhoso.
- Sabe, eu não sei por que estou conversando com você.
- Eu sei. Porque não tem nada melhor para fazer, aí vem com essa tal diplomacia.
- É claro, meu caro, temos que conversar para resolver nossas diferenças, chegar a um entendimento...
- Aahhhh! (bocejando) O quê mesmo que você disse?
- Olha, você se aproveita das situações, fala que eu me preocupo com os outros e você fica nessa solidão. Todos os outros sentimentos que nascem de você só querem o seu lugar. Enquanto os meus me divulgam.
- Tal o pai, tal o filho. Isso é para ficar pior, evolucionismo, bons tempos quando tudo era caos, aí veio a luz e estragou o paraíso. Se eu não uso da persuasão onde estaríamos? Eu digo nos dois, eim?
- Não se esqueça que somos abstração. Evolucionismo! Até parece! Confesse que tens medo de ser esquecido, e que eu saia do coração e passe a habitar a razão humana.
- Razão humana! Ora não me faça rir, que eu não gosto, desde quando o homem tem razão? Tu bem sabes que o homem inventa suas próprias razões, para ele nada é absoluto tudo é relativo. O que esperas de um ser que se deixa confundir? E nisso você têm culpa.
- Eu!!?
- É. Você alimenta suas emoções.
- É muito fácil colocar a culpa nos outros e manipular a verdade. Colocando duvidas fazendo com que não acreditem uns nos outros, em seus irmãos.
- Toda mentira têm um pouco de verdade, você não a defende tanto.
- isso por si só já é uma mentira, como pode uma mentira ser composta, mesmo que só com um pouco, de verdade?

Continua...

Protestantismo no Brasil (Artigo)

O protestantismo foi um movimento reformatório da Igreja Católica no decorrer do século XVI, aonde Martim Lutero através das Dietas apresentava com base legal as operações que mudariam os sacramentos. Tal período foi um marco, pois a partir de então houve uma cisão, inclusive no âmbito político. De um lado, católicos que defendiam um elo, a Igreja Católica, de ligação entre o indivíduo e Deus, e de outro lado, para os protestantes não se fazia único e exclusivamente esta ligação. Na analise de Martim N. Dreher sobre o protestantismo na América Meridional, o autor nos alerta para o cuidado da análise das duas vertentes que se fazem notórias a alemã e a inglesa. Esta se caracteriza pelas mudanças oficiais nos sacramentos e o “[...] objetivo de formar uma frente única contra o catolicismo. Assim, o ‘evangélico’ de tradição inglesa vai ser conservador teologicamente e anticatólico em termos de estratégia.” (DREHER, 2002, p.119), e a vertente alemã pelo conceito normativo de evangélico baseada no Evangelho sendo definido depois que é evangélico aquilo que é cristão.
As diferenças nos tipos de protestantismo segundo Dreher (2002, p.120) se dão no decorrer do tempo, e a sua introdução na América:

[...] os primeiros dissidentes religiosos a se estabelecer em maior número na América Meridional foram os imigrantes luteranos que apontaram aqui em 1824. Com eles, surgiu o que se convencionou chamar de “protestantismo de imigração”.

Além de metodistas e presbiterianos vieram também missionários de outras vertentes protestantes como batistas, adventistas, exército da salvação, e outros. A falta de coesão protestante na América Meridional gerou muitas disputas e separações além das disputas com os católicos.
O que se convencionou chamar de protestantismo de missão se deu em função de estrangeiros aqui residentes, pois, para eles são organizadas as primeiras igrejas, que aos poucos foi abrindo as portas para brasileiros das classes baixas, entre as características do protestantismo de missão segundo Dreher (2002, p.131-132), uma que sobressai é a educação onde além de educar ensinavam valores da fé cristã, tendo ai a base da ideologia do capitalismo como foi traçado por Weber.
Uma outra vertente que gerou uma ruptura no modo de vida da sociedade brasileira e de sua interpretação do mundo, o pentecostalismo “a grande explosão religiosa no país” (DREHER, 2002, p.132), isso por que segundo autores ele representou uma função social. Há aqui, como característica, uma interpretação de um mundo dominado pelo Diabo, representado pela vida mundana, e a esperança da salvação nos caminhos da igreja, com a Congregação Cristã do Brasil sendo a primeira igreja pentecostal no Brasil, inicialmente ministrada para imigrantes italianos em 1910, nos primeiros 20 anos contava com 30.800 membros, ministrando também para brasileiros contava, em 1962, com 600.000.
A Assembléia de Deus, também pentecostal, formada por um grupo excluído da congregação batista em 1912, expandiu do interior do Pará para a Amazônia depois ao sul e no Rio de Janeiro. O que nos chama a atenção é o número de adeptos crescente em curto período de tempo, e ao contrário das anteriores, o pentecostalismo, tinha um mínimo de investimentos externos, e seus membros podiam ascender em sua hierarquia.
No neopentecostalismo, ao contrário do pentecostalismo, a estrutura é centralizada no fundador e primeiro bispo, Edir Macedo, da Igreja universal do Reino de Deus. Suas principais características é a interpretação dos problemas do fiel, com curas divinas e mesmo exorcismo, o fiel contribui economicamente através do dízimo, aonde tudo é em nome de Jesus Cristo.
A concordar com o que foi dito até agora Elizete da Silva em seu trabalho nos apresenta as vertentes protestantes surgidas na América Latina abordando trabalhos feitos por missionários e pastores para justificar e caracterizar as vertentes em uma história apologética. E uma análise científica, abordando as conseqüências, social e política, decorrente dessas manifestações em um mundo desenvolvimentista tecno-científica, onde a razão parecia sobressair-se à crise espiritual e há um “ressurgimento do sagrado”. E faz um estudo do complexo fenômeno pelo olhar crítico da historiografia, o que despertou interesse também de sociólogos e antropólogos, para a compreensão do protestantismo nacional.
Em mesmo sentido Watanabe vem criticar a escrita apologética do protestantismo, tendo Michel de Certeau e Michel Foucault como referencial teórico. Seu primeiro levantamento é o local de produção e sua relação com a historiografia, concluindo que de início houve uma “unidade discursiva” por ser uno o local de produção. Watanabe nos indicou o crescimento de duas vertentes, o pentecostalismo e o neopentecostalismo, com força político-social no contexto das doutrinas da teologia da libertação e o fundamentalismo protestante provocando debates entre lideres religiosos pela base teórica das vertentes. Se estendendo às academias devido a questões levantadas por alguns grupos que foram expulsos das instituições encontrando pressupostos marxistas e weberianas de analises sociais.
Em sua analise Watanabe faz citação ao material e a sua difusão no contexto. Comenta das fontes primárias e secundarias utilizada por outros autores e a parcialidade da escrita, usada para defesa e promoção da instituição protestante, não contemplando as disputas eclesiásticas internas. Nessa disputa pelo poder (tanto de conquistá-lo como conservá-lo) o autor toma como objeto de analise o fiel, como ele se comporta diante das situações impostas pelos discursos das autoridades religiosas e conclui sobre as analise: “as fontes primárias oficiais, de fato, dificultam uma analise dos sujeitos religiosos nos seu uso cotidiano. Priorizando os feitos de indivíduos eleitos como representativo de um período, construiu-se uma história, dos lideres eclesiásticos e das disputas em torno do poder.”(WATANABE, 2005).
Em Goiás a introdução do protestantismo ocorreu a partir de 1893 com a fundação da Igreja Presbiteriana de Santa Luzia. Segundo a analise da Professora Ordália Araújo, seguindo a tendência de sua expansão nacional, em Goiás outros fatores contribuíram, como a desatenção do clero com a terra de difícil acesso. No contexto da época acima citada os sertanejos residentes tinham a crença na magia, na fundamentação teórica da autora “a magia, como entendida por Weber, constitui-se em um momento anterior à religião.” (Araújo, 2005).
Uma baixa densidade demográfica, alta taxa de analfabetismo, dificuldade de locomoção e a crença no encantado, entre outros fatores, foram as dificuldades encontradas pelos missionários que pretendiam divulgar seu comportamento ético aos leigos do sertão:

O significado do desencantamento do mundo situa-se justamente no fato de serem os indivíduos arrancados de seu passado mágico. A propagação do protestantismo, enquanto religião de caráter ético propõe, exatamente, este processo de desenraizamento religioso encontrado em Goiás e, no limite, propõe um aniquilamento completo do magismo enquanto pratica religiosa. (Araújo, 2005).

E, assim, pouco a pouco foi-se conquistando espaço principalmente entre as camadas baixas.
Em suas considerações finais a autora nos revela que apesar da introdução, em Goiás, o protestantismo não alcançou os objetivos esperados na adesão, tendo ainda a pratica do encantado e a predominância do católico.

Referências:

ARAÚJO, Ordália Cristina Gonçalves. A tentativa de Protestantização do campo religioso goiano. CEHILA, 2005. “Texto apresentado no Simpósio do Cehila (Centro de Estudos de História da Igreja na América Latina), Área Brasil realizado na UCG nos dias 29 a 31 de agosto de 2005”.

DREHER, Martin N. Protestantismo na América Meridional. In DREHER, Martin N. (org). 500 anos de Brasil e Igreja na América Meridional. Porto Alegre: CEHILA, 2002. p. 115-138.

SILVA, Elizete da. O Protestantismo Brasileiro Um Balanço Historiográfico.

WATANABE, Tiago Barbosa. Caminhos e Histórias: A Historiografia do Protestantismo na Igreja do Brasil. Disponível em: www.pucsp.br/rever/rvl_2005/p_watanabe.pdf

Etnolinguismo luso africano? (Artigo)

Esta pesquisa vem abordar a história etnolingüistica luso africano, pois além do português ser o idioma oficial no Brasil, o português aqui falado teve influência de outras línguas, portanto, devido a grandiosidade do tema será feita apenas uma breve análise da história da formação das línguas portuguesas e africanas, em especial dos povos bantos, que se mesclaram-se no Brasil e deram origem ao povo, desde de suas raízes, heterogêneo brasileiro. É sabido que não só de africanos e portugueses é formado o Brasil, entretanto nesta análise serão abordadas apenas as já citadas, deixando as línguas indígenas, inglesas e outras para uma posterior ocasião.
Para tanto utilizei como referencias um artigo de Bruno César Cavalcanti Professor de Antropologia e pesquisador alagoano intitulado de As Bantas Coisas de Alagoas - culturas negras, passado e presente. Nesta obra Cavalcanti (2005) nos dá um testemunho sobre a influência da cultura banto no Brasil:

Por isso, leitor, quando pronunciar "gunga" você estará falando da praia alagoana, mas, provavelmente sem o saber, estará também se referindo a "berimbau pequeno". Se disser "mutange" ou "cambona" estará falando banto; e se der de ombros ou apontar com o queixo ou beiço, se dançar um samba de roda, se improvisar o "passo" num frevo rasgado, ou jogar uma capoeira de Angola, se utilizar a quase totalidade de nossas expressões informais para a sexualidade, mas, também ainda, quando se dobrar ante a força de um Preto Velho num terreiro Umbanda ou "Xambá" - linha de culto afro-brasileiro de influências banto e cabocla - saiba, você estará exercendo seu lado "banto".

Também o texto "O Berço Africano" de Del Priori e Venâncio onde, os autores nos mostram um pouco da história da África Ocidental e Centro-Ocidental berço de nossos ancestrais africanos, como nos mostra os autores, (2004, p. 2) “[...] pertencentes aos milenares troncos lingüísticos nígero-congolês ou banto.” E da resenha feita por Dante Lucchesi sobre a edição da etnolingüista Yeda Pessoa de Castro do manuscrito de Antonio da Costa Peixoto. Segundo o resenhista a etnolingüista “a pretexto de fazer uma edição do manuscrito de Costa Peixoto, acaba por oferecer ao leitor brasileiro um lauto banquete, em que são servidas as mais finas e variadas iguarias da formação etnolingüistica do Brasil.” (LUCCHESI, 2004). E por fim da obra extraída do site portuguesaafrica.com de onde utilizaremos o conceito de língua: “expressa oralmente ou por escrito, a língua é uma forma de comunicação humana que consiste na articulação e na combinação de palavras de uma forma estabelecida pelas sociedades. Tem como função transmitir o conhecimento e a cultura que caracterizam as sociedades etnicamente.”
O português, assim como tantos outros idiomas europeus e asiáticos, pertence ao tronco lingüístico indo-europeu de famílias que se instalaram na península ibérica por volta do II milênio antes de Cristo, e tem sua origem do latim popular desenvolvido na península iberica durante o domínio romano. A história da língua portuguesa é divida em três fases: a pré-histórica: “estende-se das origens da língua ao século IX. Quando surgem os primeiros documentos latino-portugueses. Dentro desse período temos o que se chamou de romance lusitano”(idem); outro chamado de proto-histórica do século IX ao XII; e a terceira fase,do século XII aos dias atuais, chamado fase histórica, que se subdivide em dois períodos o arcaico e o moderno, este se define pelo aparecimento das primeiras gramáticas que definem a morfologia e a sintaxe, e ao contrário do período arcaico sofre poucas influências. Este por sua vez definido do século XII ao XVI, “quando Portugal estabelece um império ultramarino, a língua portuguesa espalha-se por varias regiões da África, Ásia e América e sofre influências locais.” (idem).
A África é um continente muito vasto e de uma história humana milenar. A cultura banta, que se caracteriza pela língua, se desenvolveu tendo que enfrentar algumas dificuldades para perpetuar-se, “[...] ampliar as sociedades, humanizar a terra e lutar contra um clima impiedoso foi tarefa que, desde a Antiguidade, empurrou colonos para as savanas em busca de melhores condições de vida.” (DELPRIORE e VENÂNCIO, 2004, p. 2). De povos nômades a sedentários os povos banto foram obrigados a migrarem do centro africano para a costa ocidental da África, e as varias migrações feitas por estes povos fez com eles precisassem se dividir e procurar novos rumos dando origens a novas tribos. Além dos bantos os iorubas, ibos e pigmeus habitavam a África abaixo do deserto do Saara. Assim “os bantos mantiveram certa homogeneidade religiosa da qual sua língua é testemunha.” (idem, ibidem, p.24). A brevidade deste trabalho não nos permite, devido à complexidade da História da África, especificar os povos que vieram e para onde foram remetidos, até por que por medidas estratégicas procurava-se dispersar os grupos étnicos e lingüísticos para evitar rebeliões, contudo segundo Cavalcanti (2005):

Foram negros bantos provenientes, sobretudo, dos atuais territórios de Angola, falantes do quicongo, do quimbundo e do umbundo, entre outras línguas; da República Democrática do Congo (Congo-Kinshasa, ex-Zaire) e da República Popular do Congo (Congo-Brazzaville), falantes do quimbundo e do quicongo, entre outras, que constituíram a força de trabalho africana espalhada inicialmente na costa brasileira, entre os séculos XVI e XIX.

Do tronco lingüístico banto temos mais de 450 línguas diferentes, além dos paises acima citados temos ainda Camarões, Guine Equatorial, Congo, Ruanda, Quênia, Tanzânia, África do Sul entre outros paises que possuem vários idiomas derivados do banto.
Como conclusão, percebo que a relação dominadores/dominados se reflete na formação etnolingüistica do Brasil, pois uma etnia minoritária, a dos portugueses, dominadores, conseguiu fazer com que vários grupos étnicos africanos, dominados, satisfizessem suas necessidades econômicas sobrepondo-se a eles e impondo-lhes sua cultura e língua e ainda dar origem a uma colônia extensa e heterogênea, pois além dos africanos trazidos havia os nativos, índios, que não conseguiram evitar a invasão e foram também subjugados. Sendo a língua portuguesa um dos fatores de coesão no território que posteriormente veio se consolidar como nação, heterogênea, de característica regionalista, assim caracteriza-se um português falado em Minas Gerais, um em Maceió, outro no Rio de Janeiro e assim por diante, mas que não se distinguem muito, sendo estas variações explicadas, acredito, pelos diferentes tipos de povoamento; e que no entanto não originou uma língua pidgins, ou seja, “quando dois povos que possuem línguas diferentes entram em contato por um tempo prolongado, seja em razão de colonização, seja por um processo distinto, um dos fenômenos que podem ocorrer é a criação de uma terceira língua a partir da interação de ambas. Essa terceira língua é bastante simplificada e caracteriza uma língua pidgins.” ( ). Como exemplo de uma língua pidgins: “desenvolveu-se na Idade Média uma língua chamada língua franca, essencialmente comercial, que possibilitava o contato dos comerciantes venezianos, catalães, genoveses, florentinos e árabes com as populações românicas do mediterrâneo, sem que se fizesse necessário aprender todas as suas línguas.” (idem).
O estudo das línguas dos povos que formaram o Brasil é muito importante para se valorizar as influências africanas aqui, pois há o estudo da literatura portuguesa alegando que a literatura brasileira inicia-se com ela e emancipa-se, ou seja, faz parte da história da língua portuguesa de Portugal, e pouco, ou quase nada se fala da literatura portuguesa de nações africanas, e que são parte essencial da história do Brasil e por conseqüência da sua literatura, terminarei pois citando um poema de Jorge Barbosa, poeta de Cabo Verde:

Prelúdio

Quando o descobridor chegou à primeira ilha
nem homens nus
nem mulheres nuas
espreitando
inocentes e medrosos
detrás da vegetação.
Nem setas venenosas vindas no ar
nem gritos de alarme e de guerra
ecoando pelos montes.
Havia somente
as aves de rapina
de garras afiadas
as aves marítimas
de vôo largo
as aves canoras
assobiando inéditas melodias.
E a vegetação
cujas sementes vieram presas
nas asas dos pássaros
ao serem arrastadas para cá
pela fúria dos temporais.
Quando o descobridor chegou
e saltou da proa do escaler varado na praia
enterrando o pé direito na areia molhada
e se persignou receoso e ainda surpreso
pensando n’EL-REI
nessa hora então
nessa hora inicial
começou a cumprir-se
este destino ainda de todos nós.

Referência:

CAVALCANTI, Bruno César. As Bantas Coisas de Alagoas - culturas negras, passado e presente. Maceió 05 nov. 2005. Disponível em:
Acesso em: 13 abril 2009.

Del PRIORE, Mary e VENÂNCIO, Renato pinto. ANCESTRAIS: uma introdução à história da África Atlântica. 4º. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

RESENHA feita por Dante Lucchesi sobre a edição da etnolingüista Yeda Pessoa de Castro do manuscrito de Antônio da Costa Peixoto, datado de 1741 e intitulado Obra nova da língua geral de mina. Scielo, São Paulo, jan/jun 2004. Disponível em: . Acesso em : 13 abril 2009.

16 de julho de 2009

Um conto que virou história (Conto)

Um dia tentei escrever um livro, peguei alguns papéis que tinha por perto, uns três ou quatro para dar volume e para não acabar quando eu estivesse criando. Sempre tive vontade de escrever, mas nunca pensei sobre o que falar, são tantos e tão ricos os acontecimentos que poderia falar sobre qualquer coisa, por exemplo: as ruas, onde as coisas acontecem, todos passam, muitos observam, alguns vivem e outros sobrevivem, enfim, um lugar onde muitas coisas acontecem.
As ruas...
Percebo então que não tenho nada para escrever nem sequer um toco de lápis, eu precisaria mesmo era de uma caneta, vejo que não seria fácil escrever um livro. Não tenho dinheiro para comprar a caneta e se tivesse não seria um bom investimento, pois, poderia usar apenas naquele momento de inspiração, tudo o que tenho, ou melhor, tudo o que consigo de uma forma ou de outra se torna muito caro mesmo que eu ganhe. Não sou aquilo que você gostaria de ver pelas ruas, mas estou aqui, portanto, me ignorar torna-se com ênfase na palavra ignorância, burrice, o que os outros têm e eu sei que a maioria não tem, eu estou pedindo, não tive muitas chances de trabalhar o que eu pensava quando eu estava aprendendo a pensar e nas poucas chances que tive na vida, tive que aplicar o que eu não sabia, sem simulados. Então tive que calar e continuar com fome, uma vez com ela morta outra com ela viva fui vendo e aprendendo a viver no centro do Planalto Central, convivendo com a cara e a coroa das moedas que ganhava.
Consegui a caneta parece estar funcionando só preciso fazer uma pequena cirurgia para ela voltar a funcionar...
Ouvi dizer que com a barriga cheia se pensa melhor e é bem verdade quando se acaba de comer, voltando o pensamento para o meu livro, sei que ele não será o mais vendido, para falar a verdade vai ser difícil eu conseguir terminar, o dia só tem 24 horas e se você for afundo verá que ele tem alguns minutinhos a menos, ouvi falar isso não sei onde nem se é verdade. Vendo todos esses acontecimentos, desde que me inspirei até aqui, decido escrever sobre a minha vida, sofrida e desgraçada, confesso, mas que se reflete com a de qualquer um que for ler meu livro, aqui onde vivo é difícil crescer, alguns amigos meus já apareceram fotografados em grandes outdoors, mas nunca ganharam nada com isso e nos meus poucos anos de vida aprendi que a imagem atraí pensamentos para um único propósito e onde há um propósito há investimentos, e como na moeda que sustenta minha vida tem dois lados, quanto mais um de um lado menos um do outro, assim, resultado negativo dos investimentos, sou eu o assunto.
Alguns dos maiores e melhores escritores um dia foram desconhecidos, não sei se a frase é bem esta, mas essa é uma das vagas lembranças que tenho da minha última professora, a da 1º série, isso me dá uma importância única, mesmo que só tenha valor para mim. Não lembro porque entrei para a escola, nem por que sai, só sei que a fome aumentou por causa disso tanto no passado como agora, mas vou aproveitar o que sobrou do que sobrou de alguém na minha barriga para continuar... Quer dizer começar, pois agora que sou o assunto não tenho certeza de onde começar, aliás, certeza é algo que eu nunca tive, porém, sou de suma importância, não agora, mas depois que eu morrer e reconhecerem o meu trabalho vão me colocar entre os melhores escritores, vão dizer que eu deveria ser o presidente do país, porém, morto não faz nada, entretanto, na vida real vivo também não. Na minha ignorância aprendi isso.
É. Depois deste livro vou escrever livros e livros, vou ganhar dinheiro, “ganhar dinheiro” essas palavras soam bem, ga-nhar di-nhe-i-ro, vendo pelo lado positivo da moeda, por que só pensar em coisa ruim só atrai mais coisas ruins. Não, esse livro eu vou mostrar para alguém... Já sei, vou pedir para um camarada, que pela manhã toma café aqui por perto, em uma das conversas que tive, ele me disse que é reporte e divulga no jornal, ele deve saber exatamente onde me levar para ganhar dinheiro (olha ela aí novamente), não melhor: ele vai começar a ler e me pagar alguma coisa para comer, enquanto continua a ler porque gostou do começo, e me chamou de inteligente e parabéns e coisa e tal, aí depois, de barriga cheia, com um novo amigo e por que não, sócio, ganhar dinheiro.
Pronto, agora posso começar, estou confortável, pensamento rápido, quente e evoluindo; o assunto, caneta, papel, tudo certo. Bom, vou escrever!

* * *

Agora estou correndo, destino? Não sei, só correndo. De quem? Não fiquei para ver. Já cai de mosca “p’ros aranha” e não é bom o que é escondido.
Não sou mendigo, não tenho nem nome de verdade nem um número de identidade, o poder está aqui na minha frente do tamanho contrário do universo atômico da minha barriga. Do outro lado dessa moeda, se esconde um sonho meu, jogar meu futebol, ir ao colégio levado pela mãe, quem é minha mãe? A Capital do capital, dinheiro saindo pelos túneis e eu aqui vendo o símbolo longe e a minha barriga vazia perto de mim, tão perto que é dentro.
A fome é como um sonho lindo, gordo e maravilhoso e quando acorda feia, magra e desgraçada. Atrapalhando o meu nome de aparecer numa folha de papel, pois tropecei na felicidade que não é a minha realidade e cai de cara no chão da miséria. Isso comprova uma tese: pensa-se melhor com a barriga cheia. Agora depois do começo que não começou por causa da carreira que levei ainda bem que nessa eu não tropecei por que nas duas realidades o chão é o mesmo só que nesta tinham raiva nos olhos.
Por que é tão difícil escrever? Organizar tudo, capítulo por capítulo, mas meu livro deverá ser assim todo dividido, organizado afinal tenho certeza de que será o melhor, digno de um escritor, simples, porém essencial à literatura brasileira, pois foi escrito por um menino de rua que é o retrato do país: novo, inteligente, apesar das dificuldades luta para melhorar de condições mesmo que essa melhora seja atrasada e sob algumas condições, sei que sou inteligente, na lanchonete conversando com os jornalistas, eu sempre esculto “esse moleque é esperto devia estar é na escola sabe mais que muito homem adulto”. Mas, nem nome de verdade eu tenho, já tive, mas estava relacionado à prisão, tinha que aceitar ordens dos outros por não ser filho deles, sei que perdi um futuro pela frente, mas o que posso fazer? Se não estava me sentindo bem e nas ruas eu sou eu, muitos não gostam também não me importo, eles não se importam comigo.
Já não quero mais escrever sobre minha vida, afinal, ela é como a de varias pessoas no máximo aparece no jornal se eu morrer. Preciso escrever uma história que ponha meus leitores a refletirem sobre as crianças que moram nas ruas, a se preocuparem mais em nos adotar e nos dar um motivo para sorrir, quantos como eu, ou melhores, se perderam e nem foram conhecidos. Já fiquei sabendo de pessoas que hoje são importantes por que foram aproveitados, mesmo que para promover e dar lucros a alguém, mas o valor deles é incalculável e deveria ser somado a essa nação e não a patrões. Vai ser o tema do meu livro: pessoas de valores que estão desvalorizadas. Vai ser interessante, chocante, motivo de estudos, do sonho de um pequeno atingir a realidade de grandes.
Acho que não vou escrever livro nenhum. É melhor eu procurar algo melhor para fazer.
Não!
Vou escrever sim, se não nunca vai mudar, um revolucionário como eu não posso pensar não, só sim. Eu serei exemplo a seguir e ninguém segue alguém que pensa não. Agora sim entrei em um acordo comigo, sei sobre o que falar, tenho a caneta, papel, parece que nada vai me atrapalhar agora e estou a um livro do sucesso é só escrever...